Cadernos de Seguro

Editorial

Caderno do Editor

Por Lauro Vieira de Faria

Décadas atrás, o economista John Kenneth Galbraith cunhou o termo “Era da Incerteza” para caracterizar o mundo de então. Guardadas as proporções, 2018 pode ser para o Brasil o ano da incerteza.

A presente edição da revista Cadernos de Seguro ilustra esse fato. O Brasil está mais exposto a acidentes naturais catastróficos do que normalmente se pensa. É o que nos dizem Estêvão Kopschitz, José Gustavo Féres e André Morandi da Silva, economistas e especialistas em meio ambiente e gestão de riscos. Nosso país, que já enfrenta problemas de enchentes e secas graves, provavelmente ficará mais à mercê desse tipo de fenômeno. Ações para redução dos impactos econômicos dos eventos climáticos são fundamentais, e o setor de seguros tem um papel importante na mitigação de tais riscos.

A revista aborda também o momentoso tema das InsurTechs. O neologismo, derivado das palavras Insurance e Technology, define empresas emergentes, inovadoras e de rápido crescimento, que usam tecnologias de ponta, mormente de informação, com o objetivo de reduzir custos, aprimorar os serviços e competir com as companhias de seguros e outros intermediários tradicionais no setor. Antonio Carlos Teixeira, jornalista e editor do blog TerraGaia, mostra que as InsurTechs podem ser oportunidade não apenas de romper padrões cristalizados de negócios, mas de surgimento de uma nova era global que valorize o ecossistema ambiental da Terra.

Por outro lado, Henrique Motta, advogado e membro da Associação Internacional de Direito do Seguro (AIDA), trata do cenário legal brasileiro em conexão com a chamada “Internet das Coisas” (IoT) e o seguro. A IoT pretende que a maior parte dos objetos da vida cotidiana seja conectada à internet, agindo de modo inteligente. Lembra que o Governo Brasileiro criou, em 2014, a Câmara de Internet das Coisas, cujos representantes aprovaram recentemente o estudo “Internet das Coisas: Um Plano de Ação para o Brasil”. A pesquisa conclui que o impacto da IoT será geral, desde a mobilidade dos transportes até a vida e segurança dos indivíduos em suas residências e ambientes de trabalho. Portanto, o tema é de alta relevância para o mercado de seguros.

Ainda no que concerne à tecnologia a serviço do mercado seguros, a terceira edição do Estudo Socioeconômico das Empresas Corretoras de Seguros – Pessoa Jurídica (ESECS-PJ) foi resumida pelo economista Francisco Galiza. As conclusões principais são as de que o mercado de corretoras continua a ser composto majoritariamente por microempresas, com concentração no ramo automóvel. Ademais, aproximadamente 85% das corretoras de seguros utilizam de forma assídua as redes sociais (Facebook, WhatsApp) na comunicação com seus clientes. Para a maior parte destas, os corretores são indispensáveis na venda de seguro, devendo, portanto, ser capazes de sobreviver aos solavancos tecnológicos do setor.

O artigo de José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde e ex-
ministro da Previdência, aborda o tema crucial dos preços e reajustes dos planos de saúde. Diversos fatores são listados para fenômeno, mas dois se conjugam de forma determinante: os avanços tecnológicos que salvam vidas e aumentam o rol de enfermidades crônicas e tratáveis (e reduzem o de doenças agudas), mas o fazem a preços crescentes e com o consequente envelhecimento das populações e maior concentração desse tipo de doentes na sociedade. No Brasil, as pessoas de 60 ou mais anos de idade são atualmente 26 milhões (12,5% da população); em 2050, serão 66,5 milhões (29,4%).

Finalmente, o autor destas linhas penou artigo sobre panorama e
perspectivas do mercado de seguros em 2017 e 2018. No presente ano, o mercado pode e deve comemorar, pois no agregado continua a crescer bem acima da inflação. Em 2018 poder-se-ia prever até resultados melhores, mas no ambiente político atual, a atitude mais adequada é a cautela. Teremos as eleições presidenciais mais difíceis de antever o resultado nos últimos 20 anos. Há não apenas radicalização de posturas políticas, mas também inflação de candidaturas, muitas estranhas ao mundo político. Assim, muitos investimentos entrarão em modo de espera e o mais provável é que um ambiente de plena recuperação econômica só ocorra de 2019 em diante.
5/1/2018

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