Cadernos de Seguro

Entrevista

Marcio Fortes de Almeida
Por Vera de Souza

ENTREVISTA

Com: Marcio Fortes de Almeida
Advogado, diplomata, ex-ministro das Cidades e atual presidente da Autoridade Pública Olímpica (AOP)

Por: Vera de Souza

Fotos: Marcelo Carnaval

O presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes de Almeida, faz previsões otimistas para o mercado de seguros em seus diversos ramos. Além do expressivo número de participantes, algo em torno de 100 mil pessoas envolvidas diretamente, entre atletas, jornalistas, dirigentes, turistas etc, para receber o evento, a cidade está passando por uma transformação que inclui diversas obras. Ou seja, o momento para os negócios de seguros é agora.

Criada em 2011 para coordenar as ações do governo voltadas para a Rio 2016, a Autoridade Pública Olímpica é um consórcio público interfederativo que tem por objetivo gerir a participação da União, do Estado e do Município do Rio de Janeiro na preparação dos jogos.

Cadernos: Em maio de 2012, o senhor disse que todos os projetos para os Jogos Olímpicos de 2016 iriam ser reformulados, para que não fosse preciso fazer todas as obras pensadas num primeiro momento e sim algo realista, que onerasse menos a cidade. Como está redefinido agora?

Márcio Fortes de Almeida: Maio foi exatamente o momento em que assinamos esses convênios. O governo do Estado já anunciou o edital para o master plano do Complexo Esportivo de Deodoro e também o detalhamento dos projetos das várias instalações que serão construídas naquela região da Vila Militar. Tudo dentro do cronograma.

Cadernos: Existe uma corrente que defende que as cidades que sediaram as olimpíadas mais recentemente, com o Barcelona e Londres, investiram muito, tiveram, num primeiro momento, um bom resultado, mas o ônus foi muito maior. Como o senhor avalia essa questão? O Rio corre o mesmo risco?

Márcio Fortes: Eu sempre falo que as obras em Barcelona mudaram a cidade. O que de fato é preciso ter é um programa realista de utilização das instalações esportivas. Tem que se pensar em instalações permanentes e não permanentes. Um exemplo é o parque aquático de Londres, que está sendo desmanchado, apesar daquela beleza icônica de sua arquitetura. Isso porque não há competição local que vá atender tanta gente. Então, tem que se adaptar. Instalações que são construídas para o treinamento de atletas também são desnecessárias depois. Estamos definindo o que realmente irá continuar depois das Olimpíadas, até porque é caro manter e também utilizar esses espaços. Pense: é caro manter aceso, cuidar, levar pessoas das comunidades para usufruir (o que demanda transporte, alimentação etc.).

Hoje temos o Parque Aquático Maria Lenk com utilização parcial. Também é importante discutir quem irá administrar esses espaços posteriormente. O legado é responsabilidade da APO, e não é só em relação às instalações, mas também na área ambiental, com a despoluição da Baía de Guanabara, das lagoas e a questão da mobilidade, avaliando e programando o que vai ser feito em benefício da população.
Cadernos: O senhor pode citar algum exemplo que já esteja sendo posto em prática?

Márcio Fortes: O BRT Transcarioca, que vai até o Galeão (aeroporto Tom Jobim), por exemplo, vai ser estendido até a Ilha do Governador. O importante em todas as obras é levar em conta o planejamento, a questão do turismo, enfim, pensar no “day after”. Veja bem, a construção do píer no Porto do Rio para atracação de sete a oito navios é fundamental para a Copa do Mundo e também para os Jogos Olímpicos. Isso vai suplementar a oferta hoteleira com 10 mil quartos. A questão é que, depois desses eventos, o Ministério do Turismo, a Embratur e a Riotur vão ter que se preparar para incentivar o turismo e garantir o emprego das pessoas que lá irão trabalhar.

Cadernos: Aliás, a construção do píer em forma de “Y” tem gerado muitas polêmicas.

Márcio Fortes: Essa é uma discussão para arquitetos, urbanistas, para o Iphan. O argumento que vem sendo usado é que os navios atracados no píer vão esconder as belezas naturais da cidade. Mas é preciso entender que o navio não é uma instalação permanente: c

25/03/2013

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