Cadernos de Seguro

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Cheque, boleto ou cartão?

Este estudo compara as taxas de juros praticadas no parcelamento dos prêmios de seguro de automóvel em 13 companhias brasileiras, em dados de junho de 2008, na opção carnê (ou boleto bancário). No setor, esses valores são também conhecidos como taxas de fracionamento.

Teoricamente, existem quatro formas de parcelamento de pagamento em um seguro de automóvel: o cheque pré-datado, o boleto bancário (também conhecido como carnê), o cartão de crédito e o débito bancário.

O boleto bancário é o meio mais usado no mercado, tendo duas características principais: todas as seguradoras o praticam e, usualmente, é a situação em que as taxas são as maiores, quando comparada às outras opções. O fato do valor ser maior no boleto bancário se deve ao risco de inadimplência existente nesse tipo de operação, que é mais elevado.

Nas análises, foram consideradas também duas situações: no máximo, 10 parcelas (a situação mais comum) – embora algumas seguradoras ofereçam a possibilidade de pagamento em até 12 parcelas; e a condição de que todas as primeiras parcelas são pagas à vista. Na prática, em alguns casos, as seguradoras permitem o pagamento da primeira parcela em 30 dias.

Em função dos resultados obtidos, temos as seguintes observações:

1) Em boleto bancário, 8 seguradoras entre 13 (62% da amostra) não cobram juros em até quatro parcelas;

2) Nos últimos 2 anos, houve, de um modo geral, queda nas taxas. Como exemplo, o comportamento do boleto bancário, sendo medido de duas formas.

3) Esse fenômeno de ajuste é coerente com a própria movimentação dos juros da economia.

4) Na análise do histórico das taxas, temos:

• No início de 2004, a taxa acumulada móvel dos 12 meses anteriores era de, aproximadamente, 16% a 17% ao ano, com tendência de queda;

• Ao final desse ano, entretanto, a tendência se reverteu, atingindo quase 20% no início de 2006. Esse fato se espelhou nas taxas de fracionamento calculadas no meio de 2006, mais elevadas do que em 2004;

• Desde o final de 2006, a situação começou a melhorar de forma constante, o que resultou em uma diminuição nos valores cobrados pelas seguradoras (fato captado pelo levantamento de agora, junho de 2008), quando as taxas acumuladas móveis dos 12 meses anteriores (à Selic) se situam próximas aos 12% ao ano;

• Atualmente, a grande dúvida é se, com o início da tendência de aumento de juros, já sinalizada pelo Banco Central e que deverá acontecer até o final deste ano de 2008, este cenário mais favorável para o segurado poderá ser interrompido ou não. Se não for este ano, talvez seja em 2009.



[B]Agradecimento[/B]
O autor agradece o apoio da Comissão Técnica de Automóvel, do Sincor-SP, na realização deste estudo

30/09/2008 03h38

Por Francisco Galiza

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), membro do Conselho Editorial da Escola Nacional de Seguros, membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e sócio da empresa Rating de Seguros

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