Cadernos de Seguro

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Responda com sinceridade

[U]As perguntas feitas pelas seguradoras no ato da contratação de um seguro de vida são para o bem do segurado[/U]


Tenho escutado, lido e percebido em muitas situações que as pessoas, quando procuram por um corretor para fazer seguro de vida, ficam de certa forma “chateadas” com os questionamentos feitos pelas seguradoras a respeito de sua saúde e qualidade de vida, para a aceitação de suas propostas. E não são pessoas que possamos chamar de humildes ou pouco informadas, mas sim, quase sempre, executivos, empresários e indivíduos que acreditamos ser bem formados.

A primeira consideração que essas pessoas devem fazer é que seguradora é uma empresa, necessariamente uma S.A., que tem como objetivo o lucro, e não uma empresa filantrópica com fins beneficentes.

Assim, quando o cliente vai contratar um seguro de vida que garanta a seus beneficiários uma quantia em dinheiro em caso de morte ou invalidez – seja provocada por doença, seja por acidente –, a seguradora deverá avaliar, necessariamente, se esse candidato ao seguro tem algum problema de saúde ou hábito que, de alguma forma, o coloque em situação de maior risco em comparação a outras pessoas.

Os inconformados chegam mesmo a declarar que algumas perguntas são uma invasão de privacidade e as contestam até o último momento, sem perceberem que, caso a seguradora não tivesse tal atitude, provavelmente o seguro de pessoas não existiria, pois o valor do prêmio a ser cobrado teria de ser tão alto que poucos poderiam pagar. Como o seguro de pessoas está baseado na lei dos grandes números, ele não poderia existir.

Para citarmos alguns exemplos, vamos começar pela solicitação de peso e altura do candidato ao seguro. Sabidamente aí temos dois problemas: as pessoas que têm excesso de peso e as que estão abaixo do peso. Alguém poderia perguntar: ser magro ou ser gordo, então, é algo considerado como uma doença para o seguro? A resposta é simples e fácil: NÃO. O que acontece é que o risco de ocorrerem problemas com o ser humano aumenta quando ele tem peso em excesso ou em falta.

Alguém lendo este artigo poderá perguntar: “então os subscritores são médicos?” Não, não somos, mas temos invariavelmente um consultor médico ao nosso lado para esclarecer, avaliar, dar e pedir explicações sobre qualquer informação fora do padrão que um proponente tenha revelado.

O proponente deve ter em mente que não se está bisbilhotando sua vida, não há interesse em seus hábitos para fazer disso algum tipo de fofoca ou para utilização maldosa da informação. A seguradora está, sim, avaliando o risco de forma que cada um pague um preço justo e tenha a cobertura garantida no momento da ocorrência de qualquer evento inoportuno.

É bom que se frise também que algumas seguradoras premiam proponentes com condição de saúde excelente, bons hábitos e bons antecedentes. Essas pessoas poderão garantir algum desconto no prêmio só por terem boa saúde e bons hábitos.

Quer alguém torcendo para que você fique sempre saudável, não tenha maus hábitos, pratique esporte e seja esbelto? Faça um seguro. A seguradora quer você sempre com saúde, pois, caso contrário, você deixa de ser renda e passa a ser prejuízo.

Assim, deve ficar bem claro a todos aqueles que querem fazer uma cobertura de seguro que os questionamentos feitos pelas seguradoras visam a avaliar se o risco oferecido é segurável e qual o prêmio justo, para o proponente não pagar a mais ou a menos, e ter consciência de que está fazendo o correto para que seus beneficiários recebam a devida “indenização” na ocorrência de um infortúnio.

30/09/2008 03h42

Por Marco Antonio Olivato

Chefe de Serviço de Vida e AP do IRB Brasil Re - Regional São Paulo

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