Cadernos de Seguro

Artigo

A crise é humana

[B]Ricardo Villaça[/B]

A crise financeira é somente o sintoma, a crise real é humana, e para que os sintomas não variem periodicamente até que se chegue a uma situação com danos ainda maiores, é preciso que seja realizada a observação conjunta de:

1) Necessidades da população
2) Evolução da sociedade – material, espiritual, pessoal e profissional
3) Bom funcionamento e evolução saudável dos negócios
4) Combate à pobreza e miséria
5) Evolução ambiental – água, energia renovável, preservação, criação
6) Evolução do pensamento sócio-filosófico – sociedades em evolução
7) Transparência

E a avaliação e busca de soluções deve ser técnica e não política. Estão sendo tratados operacionalmente assuntos que precisam ser traduzidos tecnicamente e planejados estrategicamente. E voltando à pergunta do título deste texto? O controle do Estado deve ser mais atuante? Sim ou não, depende. A resposta não é uma expressão de dúvida e sim de possibilidades. A crise é humana, e muitas das teorias de capitalismo, comunismo, liberalismo, etc., camuflaram individualistas e oligarcas que ajudaram a depredar o mundo, a cultura, a natureza, os animais e os seres humanos, em suas buscas quase que exclusivamente particulares.

Então, de fato, tanto faz a teoria, se ela for mal conduzida, ou tanto faz a teoria, se ela for bem conduzida. A melhor teoria irá causar maus resultados se existir somente de fachada. As piores teorias podem se transformar em boas teorias se trabalhadas por profissionais bem-intencionados e bem preparados em sua condução. A solução é técnica e envolve os aspectos anteriormente relacionados, de forma conjunta. Os melhores técnicos terão reduzidas chances de sucesso por lidarem com um cenário de muitas variáveis, e com o inesperado, muitas vezes.

O problema do mundo não pode ser político, onde prevalecem decisões isoladas, receio dos mais fortes, intransigência de radicais, combate a sintomas, somente. Os países e o mundo precisam ser conduzidos como unidades integradas, incluindo os continentes, suas potencialidades, dificuldades, os riscos, as diferenças, as semelhanças, o respeito, as regras, religiosidade, a evolução. Vale o reforço de que a solução é técnica e deve estar baseada em teorias e aplicações práticas e plausíveis sob observações isentas. A implementação, sim, é política e deve ser motivadora e abrangente. Talvez avassaladora.

O bom funcionamento da economia é o alicerce para que tudo mais funcione bem. Aqui entram todas as considerações técnicas, mas muito simplificadamente. Economia é a produção de bens e serviços consumidos e demandados pela sociedade. Os derivativos são importantes, desde que não descolem da economia, colocando-a em risco, como na época atual. Além disso, os lucros do sistema financeiro não são aplicados na sociedade como poderiam, mas o prejuízo sim, e quase que diretamente. A economia deve ser pensada no curto, médio e longo prazos, tendo como visão a evolução da sociedade. Por exemplo, os juros abusivos têm levado pessoas, de profissionais a pais de família, a verdadeiras crises pessoais e familiares. E nesses momentos, eles não são socorridos por nenhuma instituição. As famílias têm “quebrado” o tempo todo e não há quem as socorra. Essas quebras se refletem diretamente na sociedade, através de problemas com adolescentes nas escolas e em suas vidas pessoais e, conseqüentemente, em adultos despreparados. A questão é tão séria que os próprios seguros se preocupam em rejeitar riscos de pessoas com problemas, tal como complicações com o Serasa.

O bom desempenho da economia demanda a fluidez dos negócios. Há quem diga que “idéia sem dinheiro é poesia”, o que infelizmente é verdade no Brasil, apesar disso, novos empreendimentos são alavancas econômicas em países desenvolvidos. Uma idéia que pode representar um avanço econômico ao país corre o grande risco de inviabilidade, se não vier acompanhada de dinheiro, sorte, muito trabalho e conhecimento de pessoas influentes. Os programas formais para auxílio ao novo empreendedor não estão preparados para percebê-las de forma ampla. Eles existem, mas têm baixa capacidade de reconhecer a boa idéia, principalmente ao se basearem somente na análise de sua essência. E as que conseguem sobressair têm representação ínfima quando comparadas às que se perdem no tempo. Para o país, esse cenário é danoso economicamente e em termos de imagem.

As idéias que não evoluem no Brasil, certamente, mesmo sendo idéias inovadoras, aparecerão em outros países, que receberão o crédito por pioneirismo e inovação e pela economia gerada. Muitos de nossos mestres e doutores estão em outros países, onde são mais bem remunerados financeiramente e onde suas idéias são transformadas em alicerces econômicos. Uma das maiores empresas do país está preocupada com seu crescimento, devido à defasagem de profissionais técnicos em um curto prazo de tempo. Quem pensa que idéia sem dinheiro é poesia, não deve esquecer que: dinheiro sem idéia é boemia, acaba da noite para o dia.

Os países que tiveram problemas em processos e quiseram se transformar investiram em transparência. Transparência aos processos e negociações. Em conjunto com práticas e lições de ética, valores morais e tudo o que foi discutido anteriormente neste texto, a transparência nos serviços públicos têm a grande função de inibir consideravelmente as más práticas.

Tecnicamente, cada governo deve estar preparado para otimizar seu país e buscar a inclusão de tópicos importantes na agenda mundial, de forma a criar o algoritmo que faça o mundo evoluir e que o capacite a antever e resolver problemas. Sendo o tema tratado de forma técnica e não política, por pessoas capacitadas com o auxílio de tecnologias disruptivas, que ampliem a capacidade de compreensão humana e de resolução de problemas. A política é essencial, mas vem em seguida, fazendo as implementações necessárias e criando uma motivação nacional.

12/01/2009 05h12

Por Ricardo Villaça

Diretor da AgeMcia – Inteligência Artificial – Negócios Reais www.agemcia.com.br

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