Cadernos de Seguro

Artigo

Crescimento acima da média - As perspectivas do mercado para 2010

Introdução: 2009, um desempenho histórico

O desempenho do mercado de seguros, previdência complementar aberta e capitalização em 2009 foi histórico e consolidou a visão de que este é um dos mercados mais dinâmicos do país no momento atual. De fato, num período de baixo crescimento do PIB e crise financeira internacional, o faturamento do setor com prêmios de seguros, contribuições de previdência e receitas de títulos de capitalização cresceu 14% sobre 2008.

Para 2010, espera-se um crescimento ainda maior do mercado de seguros, tendo em vista a rápida recuperação da economia brasileira e a entrada em operação de importantes inovações como o microsseguro, destinado às classes menos favorecidas, e novos produtos de previdência para financiamento de planos de saúde e de educação. De fato, as projeções divulgadas pelo Banco Central indicam uma taxa de crescimento do PIB real de 5,5% em 2010, com inflação (IPCA) de 4,5%. O ano eleitoral no Brasil e a melhora da economia internacional reforçam tal estimativa otimista. Ora, a demanda por seguros, capitalização e previdência privada é fortemente dependente do crescimento da renda das famílias e dos lucros das empresas, daí um óbvio efeito favorável.

Setorialmente, acredito que três grupos de seguros terão desempenho notável: o primeiro é formado pelos seguros relacionados ao setor real da economia, como são tipicamente os seguros garantia, de riscos de engenharia e rural.

Na medida em que serão aceleradas as despesas de investimento do governo e do setor privado e os contratos correspondentes, tais seguros tendem a ser particularmente solicitados. No caso do seguro garantia, que demanda muito resseguro, há o fator benéfico da estabilização do mercado de resseguros após a quebra do monopólio do IRB e a crise financeira, que determinou, entre outras fatalidades, a falência da AIG.

No caso do seguro rural, tem sido notável a taxa de expansão dos prêmios que cresceram 23% ao ano, em média, no período 2003-2009. Em 2010, os recursos referentes a 2009 destinados ao PSR somam R$ 261 milhões, 66,2% a mais que os R$ 157 milhões aplicados em 2008. Em relação a 2007, quando foram repassados R$ 61 milhões ao programa, os investimentos foram 328% superiores.

O segundo grupo é o de produtos ligados ao sistema financeiro, havendo aí que se notar as boas perspectivas do seguro habitacional, recentemente reformulado para melhor pelo governo e se beneficiando do aumento do crédito imobiliário, e o seguro de crédito, que sofreu com a crise financeira internacional e a queda das exportações, mas que tem novas possibilidades no momento atual, em que tais fatores vão sendo sanados.

O terceiro grupo é formado por produtos do ramo vida, como o seguro prestamista e os fundos de aposentadoria VGBL. O seguro prestamista já é recordista em crescimento da receita no período 2003-2009, e o VGBL, embalado pelo incentivo fiscal e pela perene crise da previdência social, já demonstrou capacidade de crescimento acelerado nas condições mais variadas. Ainda no ramo vida, devemos mencionar a entrada em pleno funcionamento, proximamente, do mercado de microsseguros. Estima-se que cerca de 100 milhões de brasileiros das classes C e D não possuam qualquer seguro. Desse total, ao menos 20% teriam renda para demandar alguma forma de microsseguro. É com base nesses dados que se espera em 2010 a definição do marco regulatório que criará efetivamente tal mercado no Brasil.

Um fato digno de nota é que, apesar do ambiente de grande competição que permeia o mercado, o acréscimo de receitas tem sido acompanhado de acréscimos dos lucros das empresas. Dito de outro modo, o mercado tem posto sob controle as despesas, daí resultando lucros cujos crescimentos são iguais ou maiores que os das receitas.

O ano de 2010 se afigura como de alto crescimento econômico, aceleração de investimentos físicos, ausência de situações de crise financeira e entrada em cena de novos produtos, como microsseguros, planos de previdência ligados a despesas de saúde e educação, etc. Isso posto, é lícito supor que o mercado crescerá acima da média verificada em 2004-2009, período em que não estiveram presentes todos esses fatores positivos. Portanto, acredito que o faturamento total possa ter acréscimo nominal entre 14% e 20%, assim dividido: vida: entre 16% e 21%; não-vida: entre 14% e 20%; saúde: entre 11% e 17%; e capitalização: entre 13% e 19%.

09/04/2010 04h04

Por Lauro Vieira de Faria

Economista e consultor da Escola Nacional de Seguros – Funenseg

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