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Atuário: mito ou realidade?

Começamos nossa investigação na Roma antiga, de onde se origina o termo "atuário". Nesta, eram designados atuários os escribas que redigiam as atas do senado, sendo essa nomenclatura posteriormente destinada aos escrivães públicos que registravam nascimentos e óbitos.

Muito depois, já na Europa do século XVII, passaram a ser conhecidos como atuários os pesquisadores que organizavam modelos estatístico-populacionais, como as Tábuas de Mortalidade, sendo o sr. William Morgan o primeiro atuário "profissional", recebendo esse cargo na Equitable Life, de Londres, em 1775.

Os "atuários modernos" são especialistas em avaliação, mensuração e gestão de riscos através do tempo e utilizam recursos matemáticos (principalmente estatísticos e financeiros) para os cálculos de prêmios, reservas, anuidades, limites de retenção e capitais em função de riscos.

No Brasil, os estudos científicos inerentes ao conhecimento atuarial eram realizados por pesquisadores com formação em diversas áreas exatas (tais como contadores, matemáticos, estatísticos e engenheiros).

Em 1941, em decorrência do Decreto-Lei que instituiu a atuária no então Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, surge a primeira publicação oficial de textos atuariais, intitulada “Revista Brasileira de Atuária”, sendo prefaciada, no dia 24 de março do mesmo ano, pelo então presidente da república, sr. Getúlio Vargas.

Em 1944 instituiu-se o Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), que teve recentemente, na gestão de 2006 / 2008, sua primeira presidente mulher.

Ainda hoje, em outros países, dado o entendimento sociocultural quanto ao “profissionalismo liberal”, a formação acadêmico-científica em atuária não costuma ser requisito obrigatório.

Contudo, a grande maioria deles exige a comprovação de qualificação técnico-profissional para intitular o “atuário” como tal.

Essa comprovação se dá geralmente pela aplicação de exames, principalmente nos países que possuem o órgão representativo vinculado à International Actuarial Association (IAA), com base em acordo firmado entre os membros de estabelecerem mecanismos que permitam assegurar a qualidade do profissional de atuária.

No Brasil, a “metamorfose” inicia-se obrigatoriamente com a graduação em ciências atuariais. Neste ponto, entendemos que o Brasil possui uma posição de destaque, não apenas pelas legislações vigentes, que exigem o desempenho do atuário com formação específica, mas também porque, cada vez mais, o próprio mercado, norteado pelos princípios de boas práticas gerenciais e governança corporativa, aliados à necessidade de técnica para tomadas de decisão e gestão dos riscos dos negócios, vem procurando profissionais realmente qualificados e capacitados para isso, favorecendo, portanto, as contratações de atuários.

Atualmente não existe imposição de estágio para graduação, e os cursos de Ciências Atuariais no Brasil possuem em média 2.875 horas, formando aproximadamente 300 atuários por ano. Contudo, alinhando os atuários brasileiros às práticas internacionais, o Instituto Brasileiro de Atuária reativou, como forma de estudo e diligência, o Exame de Admissão ao IBA, cujo processo, por meio do convênio de cooperação técnica, científica e acadêmica, conta com a parceria da Escola Nacional de Seguros - Funenseg.

Além disso, atendendo às normas vigentes, o IBA implementou a certificação atuarial para os membros que desejarem dispor das certificações de Atuário Responsável Técnico e/ou de Atuário Independente, calcando o processo em dois pilares: experiência profissional e educação continuada.

A demanda pela atividade possui distribuição nacional, devido às operadoras de planos de saúde suplementar e aos fundos de previdência e assistência à saúde, tanto municipais quanto estaduais.

O atuário não só existe como tem papel fundamental em atividades públicas e privadas do Brasil, devido às competências técnicas, adequadas ao assessoramento nas políticas de proteção ligadas aos efeitos sociais na previdência pública e na seguridade social, e ao fato de que o mercado atuarial é diretamente relacionado às atividades naturalmente formadoras de grandes poupanças.

Percebemos também que a demanda é muito maior do que o número de profissionais disponíveis, fazendo com que não tenhamos notícias de muitos atuários desempregados.

Por essas e outras, a atuária é apontada em pesquisas nacionais e internacionais de renomadas instituições como uma das primeiras “profissões do futuro”.

09/04/2010 04h21

Por David Coelho Alves Corrêa

Diretor Técnico de Seguros, Previdência Complementar Aberta e Capitalização do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e analista sênior atuário da Brasilveículos Companhia de Seguros. Graduado em Ciências Atuariais pela FESP, MBA em “Gestão Avançada de Empresas” e especialista em “Magistério Superior para Pós-graduados”, ambos os títulos conferidos pela Diamond.

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