Cadernos de Seguro

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A HORA E A VEZ DO SEGURO RURAL NO BRASIL

O seguro rural vive uma nova realidade e atinge potencial para se tornar um dos mais promissores ramos do mercado nacional nos próximos anos. Desde 2005, com o grande passo dado pelo governo em torno da subvenção, a modalidade passou por uma reestruturação e emergiu. Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados, Susep, em 2009 a alta foi de mais de 70%, em comparação com o ano anterior, e para 2010 a expectativa é manter esse patamar de crescimento acima da média dos demais ramos do mercado segurador.
Fatores como a abertura do mercado de resseguros, ocorrida em 2008 e que propiciou o lançamento de novos produtos, o avanço tecnológico do setor agrícola e o aumento das ameaças, peripécias e prejuízos causados pelos efeitos do clima, tais como secas, enchentes e estiagens, tornam o produto um instrumento ainda mais essencial na proteção dos investimentos do agronegócio, trazendo assim um novo cenário ao segmento.

Soma-se a isso, ainda, a questão do produtor rural ter passado a confiar e entender cada vez mais a importância de contratar um seguro para garantir sua proteção e, consequentemente, a de sua plantação, colheita e distribuição dos alimentos pelo país.

O índice atual de áreas cultiváveis seguradas no Brasil é de cerca de 11% e tende a subir, o que mostra que a apólice rural ainda tem muito campo para percorrer. De acordo com o Ministério da Agricultura, só em 2009, o total de hectares de áreas seguradas passou de 4,8 milhões para 8,1 milhões, sendo 6,7 milhões subvencionados. Já o número de produtores atendidos saltou de 43 mil para mais de 56 mil.

A importância do agronegócio na economia já foi percebida pelas autoridades brasileiras, o que pode ser visualizado pelos incentivos dados pelo governo para o fortalecimento do setor. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), em 2008, o agronegócio foi responsável por 26,4% do Produto Interno Bruto – PIB.

Destaca-se, neste sentido, a iminente aprovação do Fundo de Catástrofes, que deve substituir o atual FESR (Fundo de Estabilidade do Seguro Rural), administrado pelo IRB e cujo objetivo é evitar que as seguradoras que operam com a carteira agrícola tenham uma sinistralidade acima do suportável, garantindo, dessa forma, a solvência nesses ramos de seguros.
Por outro lado, segmento rural e governo ainda buscam aperfeiçoar a questão da subvenção. Há uma pressão dos produtores para que o Ministério da Agricultura complemente o corte de 47,5% para este ano. O mercado já executou um trabalho e chegou à conclusão de que precisará de aproximadamente R$ 500 milhões, sendo que o valor aprovado gira em torno de R$ 238 milhões.
O mercado segurador está bastante apreensivo com esse corte. O Ministério da Agricultura entendeu a necessidade de repor essa verba e já solicitou aos Ministérios do Planejamento e da Fazenda a complementação do aporte. O governo e o mercado esperam que esse valor seja reposto ainda no começo do segundo semestre, para que haja tempo de utilizá-lo na safra de verão.

Para aproveitar as crescentes oportunidades geradas pelas situações acima mencionadas, bem como a demanda que surgirá por conta da grande extensão territorial do Brasil, o mercado de seguro rural precisa ainda encarar alguns desafios e enfrentar mudanças que se fazem necessárias.

Dentre elas, destacam-se a necessidade de especialização de corretores para atuarem no ramo agrícola e a inclusão de matérias voltadas para essa temática na grade curricular da formação do engenheiro agrônomo em todo o Brasil. Atualmente, essa modalidade de seguros está focada principalmente nas regiões Sul e Sudeste, sendo que estados como Goiás, Tocantins e Mato Grosso já abrangem quase 70% do país, de acordo com estudo do SPA/MAPA.

Além de explicar todo o conceito sobre seguro rural, é de fundamental importância que o novo curso abranja todas as modalidades [os requisitos] constantes na resolução CNSP 46. É de extrema relevância também que o corretor entenda a sua função social dentro desse contexto. Ele precisa perceber que seu trabalho vai além do ganho com a venda da apólice, na medida em que garante a subsistência do produtor para que ele consiga continuar plantando e levando alimentos para milhares de famílias Brasil afora.

Fonte: Fonte: MAPA // Obs: Goiás, Maranhão, Rondônia, Espírito Santo // Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

24/08/2010 01h38

Por Luiz Carlos Meleiro

Superintendente de Agronegócios da Allianz Seguros e Presidente da Comissão de Seguros Rurais (CNSseg)

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