Cadernos de Seguro

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O Desenvolvimento da Atuária no Brasil e Seus Reflexos nas Últimas Duas Décadas

A profissão de atuária nasceu há aproximadamente 150 anos na Inglaterra com o objetivo de estudar a mortalidade da população. Esses estudos tradicionais, até hoje aplicados, só se estenderam para a área de seguros no século XX, quando tomaram forma técnica. Nas últimas décadas, a concepção de que uma seguradora é parte do setor financeiro, mais que nunca, fez com que o atuário assumisse o papel de especialista em riscos.

Há aproximadamente 20 anos no Brasil, os riscos econômicos, em consequência da inflação, estiveram ligados ao lento desenvolvimento do setor de longo prazo, de uma forma geral, e, particularmente, do de previdência. Uma vez que o seguro basicamente opera sob o princípio do mutualismo, ou seja, quanto menor a população segurada, maior o preço de contribuição per capita, isto ratifica a difícil penetração do setor no país.

Desta forma, com o controle da inflação, a liberação das tarifas e a regulamentação de novas provisões para as seguradoras, o atuário passa a exercer um papel central para a gestão e crescimento dessas empresas. As seguradoras no Brasil passam então a ter como sua essência a administração de riscos. Paralelamente, o mundo observava maior tecnicidade das tarefas atuariais, uma vez que a chegada da informatização dos sistemas facilitou o desenvolvimento e aplicação de modelos matemáticos mais avançados, incorporando-os assim na rotina das seguradoras.

Com sua crescente importância na gestão das empresas do setor, os atuários passam, cada vez mais, a ocupar cargos hierarquicamente mais altos. Esse movimento influi diretamente no desenvolvimento da autorregulação do mercado, com a adoção dos modelos internos para o cálculo de capital regulatório, como já praticado na Europa.

Assim, mesmo não tendo participado dos movimentos que levaram a criação da legislação protetiva do consumidor, com esse novo paradigma o atuário contribui de forma fundamental na proteção e defesa do consumidor segurado. De maneira direta, o segurado contará com produtos e coberturas mais bem mensuradas e preços mais adequados e justos e, indiretamente, preservando-se e construindo-se cada vez mais solidamente a garantia da solvência das empresas desse mercado.

03/12/2012 12h50

Por Fernanda Chaves

Atuária da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg).

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