Cadernos de Seguro

Artigo

SAÚDE SUPLEMENTAR

Avanços animadores nos indicadores de saúde

Publicada recentemente, a pesquisa Vigitel Brasil, do Ministério da Saúde – feita desde 2006 para 26 estados e Distrito Federal e para a Saúde Suplementar nas edições de 2008 e 2011, com foco nos fatores determinantes e condicionantes das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) – traz dados que mostram significativo avanço nos indicadores de saúde da população. Alguns índices, inclusive, refletem a adoção de hábitos saudáveis, postura defendida pelo setor de saúde suplementar não somente com foco em qualidade de vida, mas também para atenuar o inevitável aumento dos custos provenientes da maior longevidade, decerto uma conquista comemorada, e das incorporações a críticas de novas tecnologias.

A pesquisa mostra, por exemplo, que entre 2008 e 2011 o consumo de álcool caiu. A redução foi mais acentuada entre beneficiários de planos de saúde, passando de 17,6% para 15,2% dos beneficiários – queda de 2,4 pontos percentuais. No Sistema Único de Saúde (SUS), o indicador passou de 19% para 17%, uma retração de 2,0 pontos percentuais. O mesmo ocorreu com o tabagismo: o índice de fumantes entre pessoas atendidas no segmento privado de saúde caiu 3,7 pontos percentuais, de 14% para 10,3% – ante uma redução de 0,4 ponto percentual ligada a pacientes atendidos pelo SUS, que passaram de 15,2% para 14,8%.

Brasileiros com planos de saúde também estão praticando mais atividades físicas. O percentual de adeptos saltou de 16,4%, em 2008, para 34,8%, em 2011 – um ganho de 18,4 pontos percentuais. Entre usuários do SUS, o percentual passou de 16,4%, em 2008, para 30,3%, em 2011 – uma expansão de 13,9 pontos percentuais.

Um ano após o lançamento dos Programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças (Promoprev) – por meio dos quais operadoras de planos de saúde e prestadoras de serviços de saúde podem certificar suas ações nesse sentido –, cerca de 1,2 milhão de beneficiários já aderiram. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define como Promoprev programas que desenvolvem ações em prol da promoção da saúde; da prevenção de riscos, agravos e doenças; da redução dos anos perdidos por incapacidade e do aumento da qualidade de vida dos indivíduos e populações. Atualmente, há 760 iniciativas registradas na Agência. Em 2009, eram apenas 53.

O Vigitel compõe o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de DCNTs. Dados sobre frequência e distribuição dos fatores de risco orientam a formulação de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida, tanto de quem recorre ao SUS quanto de beneficiários de planos privados. Em 2008, aproximadamente 63% das mortes no mundo estavam relacionadas às DCNTs, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Grande parcela dos custos da assistência médica também se destina a tratar enfermidades associadas a hábitos de vida, portanto, passíveis de serem evitadas ou, ao menos, atenuadas.

Alguns resultados já começam a aparecer, demonstrando que o setor privado de saúde vem obtendo êxito. Contudo, há muito a conquistar ainda, uma vez que também existem dados negativos. A pesquisa aponta para os riscos da obesidade, que vem aumentando tanto em indivíduos que usam o sistema suplementar quanto nos que procuram o SUS. A diferença é que esse aumento foi bem inferior na saúde suplementar – 0,4 ponto percentual, contra 2,8 no SUS.

O consumo de alimentos saudáveis, como frutas e hortaliças, caiu tanto entre beneficiários da saúde suplementar quanto do SUS. Na saúde suplementar, entretanto, o percentual de pessoas que consomem esses produtos é ligeiramente superior – 32,8% dos beneficiários, contra 30,9% no SUS. Ainda em relação ao consumo de bens não saudáveis, ambos os sistemas apresentaram aumento abusivo de refrigerantes.

A autoavaliação do estado de saúde como “ruim” praticamente se manteve estável no setor privado de 2008 a 2011 (em 3,8%), enquanto para os usuários do SUS foi detectada piora no indicador (passando 4,5% para 4,8%). Para mamografias, houve ligeira redução na saúde suplementar, mas o percentual de mulheres que fazem o exame no setor privado nos últimos anos supera o do SUS – 93,7%, em face de 87,8%, em 2011. A redução da hipertensão arterial também foi proeminente na saúde suplementar, assim como a incidência de diabetes.

De forma bem sintética, nesses três anos, os avanços na saúde suplementar não deixam dúvidas de que prevenção e mudança de hábitos são fatores fundamentais para o sistema como um todo e, principalmente, para os indivíduos, que melhoram seus hábitos de vida.

A Tabela 1 apresentada a seguir resume os principais indicadores analisados tanto na saúde suplementar quanto na saúde pública, nos anos 2008 e 2011.

21/12/2012 10h41

Por José Cechin e Sandro Leal Alves

José Cechin é diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar e Ex-Ministro da Previdência Social. Sandro Leal Alves é gerente geral da Federação Nacional de Saúde Suplementar.

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