Cadernos de Seguro

Artigo

A fronteira entre seguros e sociedade

Lúcio Marques


A questão da pobreza e da fome transcende os limites da fronteira de qualquer nação. Tanto os países economicamente mais fortes quanto os socialmente mais justos mostram uma característica comum: todos têm um mercado de seguros desenvolvido com uma expressiva participação na riqueza nacional.

É evidente que nos países mais industrializados a população tem alto nível de escolaridade, com um sistema de ensino que ultrapassa a barreira do óbvio – a necessidade de ser de uma boa qualidade –; os índices que nos atormentam em segurança pública são baixos; e a distribuição de renda é, de certa forma, o setor de desequilíbrio dos países pobres, em desenvolvimento e dos sub-desenvolvidos.

As ações sociais de várias seguradoras têm mostrado que este pode ser um caminho para minimizar os índices de extrema pobreza e da forme. O mercado de seguros investe em diversos projetos, através de mais de 50 seguradoras e de alguns sindicatos de classe, reduzindo as diferenças entre a população. Lógico que isto não é suficiente; é preciso mais, mas para isso também é necessário que o mercado continue crescendo e aumentando suas reservas, que se constituem em poupança de longo prazo e são aplicadas na economia do país.

Alguns sindicatos têm procurado fazer parcerias com os órgãos públicos nos estados, dotando-os de infra-estrutura no combate ao roubo e furto de veículos e às fraudes, visando não só à segurança da população, mas, dependendo dos resultados positivos destas ações, a também reduzir o custo do seguro e a dar condições para que pessoas com um nível de renda menor possam usufruir das coberturas de risco a que todos estão sujeitos.

Também é necessário que o mercado, através de suas federações, sindicatos e da própria Confederação em fase final de funcionamento, possa começar a analisar uma mudança estrutural na forma de comercializar e agir, visando a atingir sempre a camada mais pobre da população, dando condições às famílias de se protegerem contra os infortúnios da vida. A iniciativa pode ser realizada com seminários, discussões e grupos de trabalho.

A ciência, de um modo geral, tem descoberto, a cada dia que passa, novas drogas, novas formas de tentar curar o ser humano. O estudo de genomas fatalmente irá levar o mercado de seguro de pessoas a pensar em mudanças, pois os fatores de risco irão modificar-se. As pessoas serão mais longevas, a preocupação com a população idosa terá que ser maior, os organismos que tratam da boa saúde precisarão renovar seus pensamentos e formas de crescimento. A área de seguros-saúde, por exemplo, teria que começar a desenvolver estudos e projetos visando a atingir uma maior parte da população, ou seja, aquela que depende do governo, não consegue ser bem atendida e tem dificuldades de se auto-medicar. O nosso mercado precisa entender de vez que o consumo de seguros não é prioritário. As pessoas só vão adquiri-los depois de proverem suas necessidades básicas de sobrevivência, para daí pensarem em ter algum tipo de patrimônio.

Entendo que, com as ações implementadas pelas seguradoras em diversas áreas, como educação, saúde e trânsito, temos obtido resultados extremamente positivos, que estão contidos no balanço social de 2006 do mercado de seguros, editado pela Fenaseg. Através desta parceria e das informações que chegam a todas as famílias, vamos mudar um pouco o conceito errôneo que fazem de nosso mercado. Precisamos continuar mostrando aos nossos clientes o que é o seguro, o que ele cobre, quanto pagamos de indenizações, atendimentos médicos e exames laboratoriais, e tantos outros.

20/05/2008 02h51

Por Lucio Marques

Presidente do Clube de Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ) e diretor Comercial da Cia de Seguros Previdência do Sul

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