Cadernos de Seguro

Um Instante

Callado

Nélson Rodrigues dizia que o único inglês da vida real era o seu amigo Antonio Callado. A elegância de Callado, tanto na escrita como nas atitudes, era reconhecida por todos que com ele conviveram, rendendo-lhe o apelido de “doce radical”, como o psicanalista Hélio Pelegrino o chamava.

Neste ano, quando é comemorado o centenário de nascimento do jornalista, escritor e teatrólogo Callado e se registram também os 20 anos de sua morte, é impossível não citar “Quarup”, um dos romances mais importantes do Brasil pós-64. O livro é um mergulho profundo na cultura e na política brasileira. Foi publicado no ano de 1967, o mesmo em que Glauber Rocha lançava “Terra em transe”, Caetano e Gil cantavam “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque”, Hélio Oiticica apresentava sua famosa instalação no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e, no teatro, Zé Celso Martinez Corrêa revolucionava com sua comentada montagem de “O Rei da Vela”. Era a geleia geral brasileira.

Callado foi jornalista do fim dos anos 1940 até meados da década de 1970. Dos diversos veículos da imprensa nacional e estrangeira em que trabalhou, foi no período em que esteve no Correio da Manhã que viajou à Amazônia e ao Xingu. O objetivo era investigar o mistério do desaparecimento do coronel Fawcett, em 1925, no Xingu. A empreitada acabaria por resultar no livro “Esqueleto da Lagoa Verde”, publicado pela primeira vez em 1953 e um ótimo exemplar de jornalismo literário. Mais tarde, em 1967, o Xingu seria cenário daquela que é considerada por muitos a sua maior obra, “Quarup”.

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  • Capa: Divulgação Cia das Letras

  • Capa: Divulgação Cia das Letras

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